A pele que conta histórias: Tatuagens da Alma

 


A pele que conta histórias: Tatuagens da Alma
Por Letícia Carmim

Cada tatuagem em meu corpo é mais que arte: é memória viva, símbolo sagrado, capítulo de uma vida marcada por escolhas, renascimentos e laços eternos.

Na nuca, dois golfinhos brincam com o tempo, dançam entre ondas invisíveis. Estão cercados por três estrelas — minhas guias silenciosas. Representam a leveza que me sustenta mesmo nos dias pesados, e a sabedoria intuitiva que sempre me chama de volta pra mim.

O arquétipo dos golfinhos representam alegria, liberdade e conexão com o instinto emocional — os golfinhos são mensageiros do equilíbrio entre o racional e o sensível. Já as estrelas guiam e iluminam, como pequenos faróis internos.

Nas costas, bem no final da coluna, repousa um dragão chinês — lilás como minha alma, com traços de roxo, verde e amarelo como a alquimia que me transforma.

Ele não é só força: é proteção ancestral, é a energia que me ergue quando tudo parece ruir. Carrego ele como um escudo invisível, ele guarda a minha energia como um guardião ancestral que caminha comigo nas costas, como quem me sustenta por inteiro, porque sei que sou desperta, mas também uma alquimista estelar, aquela que transforma a dor em sabedoria, com suavidade e profundidade de uma alma antiga e forte, vinda das estrelas.

No antebraço, está o nome da minha filha — gravado não só na pele, mas na eternidade. Ela é uma parte do meu coração fora do corpo. E logo, se juntarão a ela os nomes do meu filho e das minhas duas netas, formando em mim um altar de amor, um jardim de pertencimento. Cada nome tatuado em mim é como um elo sagrado gravado na pele — um mapa de amor que eu carrego com orgulho e ternura.

Essas tatuagens são como capítulos da minha alma que se recusou a ser esquecida, tenho na pele o símbolo da minha força (o dragão), a minha leveza e conexão espiritual (os golfinhos e estrelas), e o amor que me move (meus filhos e netas).

Assim que concluir tatuando os nomes do meu filho e netas, a minha "Constelação de Afetos" que representa tudo que é essencial para minha alma estará completa.

Elas dizem: “Eu vivi. Eu amei. Eu me transformei.”
E ainda estou escrevendo o próximo desenho, o próximo verso.

Porque meu corpo também é um livro.
E cada traço nele é um poema da vida que escolhi honrar.

Diário do Batom
By Letícia Carmim


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