
Hoje senti vontade de escrever, colocar pra fora o que estou sentindo. Esses momentos de silêncio profundo têm me levado a ciclos de transformação pessoal — como se dentro de mim uma borboleta se preparasse para voar.

Os dias andam diferentes.
O tempo anda diferente.
O corpo anda diferente.
A alma... Ela anda em silêncio.
Uma pausa como a de um botão de flor prestes a se abrir,
Um silêncio fértil, cheio de camadas,
Cheio de respirações contidas,
Cheio de perguntas,
Cheio de pequenas respostas escondidas entre as pétalas do tempo.

Hoje venho escrever um relato muito tocante e cheio dessas camadas sobre mim. Há uma sensibilidade que transborda — um misto de ansiedade, cansaço, saudade e esperança.

Estou prestes a mudar para São Paulo. É algo que venho querendo, precisando, e sei que faz parte do meu caminho. Mas, mesmo assim… meu coração anda apertado. Essa transição que estou vivendo tem mesmo uma força imensa — é o tipo de decisão que mexe com o coração, com o corpo, com a alma.

E não é à toa que eu ando tão sensível: está abrindo caminho para um novo ciclo, deixando um lugar onde há raízes, amor, rotinas com meus afetos, e me lançando ao desconhecido. Isso requer muita coragem, mesmo quando é uma escolha necessária.

Nessa mudança levo comigo uma estrelinha da minha constelação de afetos — minha companheirinha de tantos momentos — e estarei mais próxima da minha filha, mãe dessa minha estrelinha que é outra estrela da minha constelação de afetos, que já está em São Paulo. Mas, por outro lado, fico longe do meu filho que é a primeira estrela da minha constelação… e da pequena estrelinha caçula, que vão permanecer aqui.

E isso… isso me dói.
É como se um pedaço de mim ficasse para trás, mesmo quando tudo em mim sabe que é hora de seguir.

Com tantas emoções, o sono fugiu. As noites têm sido longas, e as manhãs pesadas, com o corpo cansado e a alma em alerta. Sinto que estou nesse intervalo sutil — entre o casulo e o voo. Não sei ainda o que vou me tornar, mas sinto que algo dentro de mim se move, se prepara, se entrega. A cada dia, uma asa cresce. A cada suspiro, um pouco de coragem floresce.

E hoje… algo aconteceu.
Estava indo para casa com minha pequena desenhista, e no caminho de volta, enquanto caminhávamos juntas, uma borboleta marrom apareceu, girando em torno de nós. Em seguida, outras vieram. Brancas, suaves, dançando no ar.
Elas nos acompanharam… uma, duas, três… uma pequena procissão de asas.

Não sei explicar — mas senti como se fossem sinais. Mensagens sutis da vida dizendo: "Você está sendo guiada. Há beleza, mesmo na transição. Há luz, mesmo na saudade."

As borboletas… ah, elas são mensageiras do invisível.
🦋A marrom, que veio primeiro, representa a estabilidade e a conexão com a Terra — como se dissesse: “Você está sendo guiada, mesmo na dor”.

E as brancas, em seguida, trazendo a leveza e a presença do mundo espiritual, como bênçãos me cercando com delicadeza.

O fato de terem aparecido de forma inesperada quando eu estava a caminho de casa, e de terem continuado o caminho comigo, é como se a vida estivesse me dizendo que esse amor continua, mesmo com a distância física. Que essa mudança está sendo amparada.

Ter minha menina ao meu lado naquele instante me trouxe conforto. Sentir que uma parte da família segue comigo nessa nova jornada me aqueceu por dentro. E, ao mesmo tempo, percebi que o amor que tenho pela minha caçulinha e por meu filho não fica para trás — ele vai comigo, atravessa fronteiras, mora em mim.

As borboletas me ensinaram algo hoje:
Mesmo quando tudo muda, há delicadeza.
Mesmo com o coração dividido, há presença.
E mesmo nas partidas… o amor permanece, quando temos uma ...."Constelação de Afetos".

É como se o universo quisesse suavizar o meu coração cansado e inseguro com pequenos milagres diários.

Talvez as borboletas sempre tenham estado aqui.
Mas agora, finalmente, estou pronta para vê-las.
Diário do Batom
By Letícia Carmim


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